Bloga-me com Força

Blogai e multiplicai-vos!

12.30.2005

Ingredientes para uma excelente passagem do Ano:
























Um grupo de bons amigos.

Uma garrafa de J.B.

Pedras de Gelo q.b.

Boa música.

Uvas Passas para a meia-noite.

Um Saxofonista particular a tocar a noite toda.

Vodka com Redbull (numa fase mais avançada) sem gelo!

Energia para dançar e… boa disposição!

FELIZ ANO 2006!

12.29.2005

Há dias assim...

12.28.2005

Happy New Year


Eu sei que a imagem não é propriamente educativa mas... está lindaaaa!

Feliz Ano Novo!

:-D

12.27.2005

Phoolan Devi, a Rainha dos Bandidos da Índia (1963-2001)

Há uns anos atrás li uma das biografias que mais me marcou, a história de Phoolan Devi, mais conhecida por Rainha dos Bandidos.

Phoolan Devi foi uma mulher cuja vida teve, desde o seu início, a marca a ferro do sofrimento. Phoolan nasceu em Gorha Ka Purza, na Índia, no seio de uma família onde já existiam mais cinco filhos, sustentados apenas pelo magro produto da pesca. O seu nome em hindu significa ‘deusa das flores’. A família pertencia à casta Harijan, denominada ‘os intocáveis’, a mais baixa da hierarquia indiana e trabalhava para os Thakur, a casta mais elevada da região, habitualmente possuidora de poder e de riqueza.

Aos 11 anos de idade a família casou-a com um viúvo de meia-idade, em troca de uma vaca. O marido, e a primeira mulher deste, escravizaram-na e infringiram-lhe castigos corporais severos violentos. Aterrorizada, Phoolan chegou a fugir várias vezes para junto dos pais, mas estes devolviam-na sempre ao marido, até que este, farto dos seus gritos, a abandonou junto a um rio.
Depois de ser abandonada pelo o marido, foi banida pela família e o pai quis forçá-la a cometer suicídio saltando para o poço da aldeia. Como alternativa, foi obrigada a casar com um primo, que já era casado, mas também esta relação era uma relação condenada desde o início e o marido rapidamente a abandonou. O facto de estar sozinha e banida pela família, era considerada pelas pessoas da sua aldeia como prostituta e maltratada por todos. Mesmo assim, sem qualquer tipo de educação, fez frente às autoridades em sua própria defesa e até em defesa do seu pai.

Porém, as suas atitudes de rebeldia, haviam de pagar um preço. Um ano mais tarde, devido a uma falsa acusação de roubo, Phoolan foi detida sem julgamento durante mais de um mês, período durante o qual foi repetidamente violada e espancada pelas forças policiais. A sua acusação consistia no facto de ter ofendido a casta Thakur com as suas ideias e a sua rebeldia.
No Verão de 1979, conseguiu fugir, ou segundo outras fontes, foi raptada por um bando de bandidos. Consta que o chefe dos bandidos, Babu Gujar, a terá violado e brutalizado, até que um outro bandido, membro da mesma casta de Phoolan, Vikram Mallah, a defendeu e matou o chefe.
Vikram ensinou a Phoolan tudo o que sabia e depressa ela estava preparada para vingar a sua vida de longos abusos. Juntamente com Vikram, liderou o bando durante mais de um ano, espalhando o medo na região.
Um dia, Vikram foi ferido a tiro na cabeça e acabou por morrer. Tinha sido uma vingança pela morte de Babu Gajar. Phoolan foi capturada, e amarrada, amordaçada e lançada para bordo de um barco que a levaria até Behmai. Ali foi aprisionada por um grupo de Thakurs, que a cada noite a violavam em grupo até ela ficar inconsciente. Depois de três semanas de tortura, soltaram-na apenas para que os ficasse a servir como escrava na vila onde eles se acolhiam, tendo de ir buscar água e fazer todos os serviços, completamente nua até que um amigo a resgatou dessa humilhação.
Era tempo de voltar aos seus dias de bandido. Voltou às zonas que já conhecia e juntou o seu próprio bando. No Inverno de 1982, vingou-se de toda a humilhação às mãos dos Thakus, voltando a Behmai para matar todos os homens que a tinham violado e abusado dela. Consta que terá morto pessoalmente 22 homens com a sua arma, uma 315 Mauser.

A sua fama subiu em flecha e a história da vingança pela sua humilhação fez-lhe ganhar o respeito e a admiração das castas mais baixas da Índia e, até mesmo, de alguns membros das classes mais altas e governadores. Para isso contribuía também o facto dos seus bandidos roubarem quase sempre apenas aos mais ricos e partilharem o espólio com os mais necessitados.
Os jornais serviam também esta fama, fazendo grandes manchetes com a sua história. No entanto, entre as autoridades policiais não gozava de tão boa reputação. A polícia indiana fez-lhe uma perseguição cerrada e um ano depois do massacre em Behmai, Phoolan estava a negociar a sua rendição face a mais de 600 polícias. Uma imensa multidão de mais de 80000 admiradores assistiu à cerimónia de rendição gritando em incitamento à já conhecida como Rainha dos Bandidos.

A história de Phoolan continua até aos nossos dias. Desde 1982, passou onze anos na prisão, sem acusação formal ou julgamento. Foi depois libertada e em 1996 foi eleita deputada do Parlamento Indiano. Casou. Aprendeu a ler e a escrever.

A 25 de Julho de 2001, foi barbaramente assassinada a tiro por um grupo de homens encapuçados, quando se deslocava para o Parlamento Indiano.

A sua história é um exemplo de luta e esperança contra uma das mais cruéis hierarquias sociais do mundo.



Eu, Phoolan Devi
Autoria: Phoolan Devi, Marie Thérese Cuny, Paul Rambali
Edição Portuguesa : Difel

12.26.2005

Os escritores da minha vida – Henry Miller (1891-1980)


Henry Miller nasceu a 26 de Dezembro de 1891, em Brooklyn. Completam-se precisamente hoje 114 anos desde a data do seu nascimento.

A sua vida, tal como a sua obra literária, foi fortemente marcada por uma postura contrária aos padrões sociais impostos na altura. A sua personalidade controversa colocava-o entre o génio e o maldito, existindo inclusive quem considerasse as suas obras pornográficas.

Miller exerceu diversas profissões e esse histórico de actividades deu-lhe bastante material para utilizar nos seus livros. Desde “homem do lixo” a coveiro, Miller foi também vendedor de livros e empregado da companhia de telégrafos Western Union, local onde trabalhou durante mais tempo. Em 1924, largou definitivamente o seu emprego para se dedicar por completo à literatura.

Henry Miller era um crítico corrosivo da estrutura social e económica americana, bem como da hipocrisia moral existente, alimentada pelo falso moralismo dos norte-americanos. Era, por estas razões, um indesejado na sociedade e apenas encontrou reconhecimento nos bairros fervilhantes de Paris dos anos 30 e 40.

Miller é muito mais do que um aventureiro e boémio. Considero-o um grande escritor, aliás, um dos primeiros a utilizar a palavra escrita sem pudor, usando e abusando de uma linguagem crua, com descrições extremamente pormenorizadas e realistas. Miller criou um novo conceito da literatura, utilizando uma técnica vanguarda de escrita, baseada na liberdade da criação literária.

A sua genialidade e talento foram reconhecidas pelos intelectuais europeus e os seus livros publicados primeiro em França, sendo contrabandeados em versões francesas para os Estados Unidos, onde uma pequena, mas fiel, estirpe de fãs, entre os quais se encontravam George Orwell, T.S. Eliot e Lawrence Durrell, as liam avidamente.

Nos Estados Unidos os seus livros são proibidos por serem considerados obscenos e é somente aos 69 anos que sua obra, Trópico de Câncer, é publicada legalmente, quase trinta anos depois de ter sido escrita.

Pessoalmente considero que o último volume da trilogia da Rosa Crucificação, NEXUS, é de longe a sua obra-prima. Nesta trilogia Miller faz uma descrição da sua vida antes da sua primeira viagem à Europa, em 1928. Essa obra levou cerca de vinte anos a concluir: Sexus foi escrito entre 1941 e 1942; Plexus, entre 1947 e 1949; e Nexus, que termina com a partida para a Europa, entre 1952 e 1959.

NEXUS é um dos seus livros mais intensos e introspectivos, todo o livro é quase como um campo de batalha no qual o autor confronta-se a si mesmo e aos os seus ideais, de uma forma muito consciente e clara.

Vale a pena explorar as obras deste autor, que considero um dos escritores da minha vida.



Obras de referência de Henry Miller:

Sexus
Plexus
Nexus
Trópico de Câncer
Trópico de Capricórnio
Dias tranquilos em Clichy
O Pesadelo em Ar-Condicionado
Opus Pistorum
Sorriso aos Pés da Escada

12.22.2005

Voto de...

12.20.2005

Desmistificar os vegetarianos


A maioria das pessoas imagina os vegetarianos como indivíduos magros, de ar tristonho e pele macilenta. Por vezes olham-nos de lado, como se fossemos pessoas de estranhos hábitos vindos de uma terra distante, ou então dirigem-nos um olhar compassivo que se traduz no pensamento: ah, coitado, é vegetariano.

Nada podia estar mais errado! Nós vegetarianos temos muito sangue na guelra, bom humor e alguns de nós até bebem cerveja e comem batatas fritas afogadas em Ketchup, como os comuns mortais.

Existem vegetarianos de toda a espécie e feitio: as mamalhudas (Pamela Anderson) os ditadores (Hitler), os pacifistas (Gandhi), os atletas (Martina Navratilova), os génios (Einstein), os músicos (Moby), os duros (Clint Eastwood), os santos (Dalai Lama), os intelectuais (Emile Zola) os inconformistas (Bob Dylan), os roqueiros (Brian Adams), os visionários (H.G.Wells), os atormentados (Kafka), os homossexuais (K.D. Lang), os gordos (Montserrat Caballe) e as pessoas normais como eu!

Existem pessoas que pensam que nós não gostamos de comer, apenas porque temos um menu diferente. Isso é completamente errado! Eu sempre gostei de comer e às vezes, quando o petisco é realmente delicioso, posso repetir duas ou três vezes até quase sentir o estômago a rebentar. O facto de não comermos bifes, chouriço ou costeletas, não faz com que tenhamos que comer comida sensaborona e insonsa. Pelo contrário! Existe toda uma vasta gama de iguarias por explorar e provar que podem satisfazer tanto ou mais do que a carne. Penso que nesta área o céu é o limite, assim como a imaginação do cozinheiro.

Alface?!?! Tomate?!?! Isso é para os novatos! Basta irmos à praça e olhar em nosso redor para avaliarmos a dimensão das ofertas.

Em relação às bebidas alcoólicas, é verdade que alguns vegetarianos não bebem, mas isso também se aplica a pessoas que comem carne ou peixe. Acho que é mesmo uma questão de opção, mais relacionada com a personalidade do que propriamente com a alimentação.

Pessoalmente gosto bastante de vinho e delicio-me completamente com um belo Dão e uma tábua de queijos. Eu também gosto muito de cerveja, no Verão umas belas cervejinhas acompanhadas por pratinhos de tremoços são uma delícia! Sou capaz de beber quantidades que fazem corar um estivador do Cais do Sodré.

Apesar de tudo, posso dizer que as coisas estão muito diferentes desde há uns anos para cá. Este Natal comemoro 7 anos de vegetarianismo e sinto que a surpresa das pessoas é menor e as ofertas em restaurantes tradicionais maior. Isto demonstra uma verdadeira evolução na mentalidade dos portugueses que me agrada.

Também se sente uma maior preocupação em conquistar este novo target, a consequência disso sentiu-se na proliferação de restaurantes vegetarianos um pouco por todo o país, mas especialmente na capital, e na existência de restaurantes vegetarianos nos maiores festivais de rock que decorrem no Verão.

São mudanças que me deixam muito satisfeita, porque são um sinal de evolução dos tempos e significa que estamos no bom caminho... acreditem.

Vai uma cenourinha?

12.18.2005

CAMPO DE TRIGO COM CIPRESTES - Vincent Van Gogh, 1889

A primeira vez que vi este quadro foi na National Gallery, em Londres, no Verão de 1999. Fiquei fascinada, principalmente devido ao tom exuberante e vivo das cores, porque qualquer imagem que se veja de um quadro de Van Gogh, nunca faz justiça à beleza e à força dos originais.

Este quadro foi pintado por Vincent Van Gogh durante o verão, em Saint-Rémy, enquanto se recuperava do primeiro ataque de loucura, após ter cortado a sua orelha. Van Gogh cortou parte de sua orelha em Dezembro de 1888, depois de uma discussão com Gauguin, com quem dividia casa.


A tensão do artista revela-se na turbulência das nuvens e do céu. A presença de ciprestes nos seus quadros deu sempre uma sensação de presságio, porém ele escrevia animado para o irmão Theo nessa época. Theo tinha retornado a Paris depois de uma visita que lhe fez, após o incidente da orelha.

Na cultura europeia, o Cipreste simboliza o luto e a longevidade. Talvez esta fosse uma forma de Vincent alcançar a imortalidade.

E ao sétimo dia... Deus criou o BLOG!