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12.27.2005

Phoolan Devi, a Rainha dos Bandidos da Índia (1963-2001)

Há uns anos atrás li uma das biografias que mais me marcou, a história de Phoolan Devi, mais conhecida por Rainha dos Bandidos.

Phoolan Devi foi uma mulher cuja vida teve, desde o seu início, a marca a ferro do sofrimento. Phoolan nasceu em Gorha Ka Purza, na Índia, no seio de uma família onde já existiam mais cinco filhos, sustentados apenas pelo magro produto da pesca. O seu nome em hindu significa ‘deusa das flores’. A família pertencia à casta Harijan, denominada ‘os intocáveis’, a mais baixa da hierarquia indiana e trabalhava para os Thakur, a casta mais elevada da região, habitualmente possuidora de poder e de riqueza.

Aos 11 anos de idade a família casou-a com um viúvo de meia-idade, em troca de uma vaca. O marido, e a primeira mulher deste, escravizaram-na e infringiram-lhe castigos corporais severos violentos. Aterrorizada, Phoolan chegou a fugir várias vezes para junto dos pais, mas estes devolviam-na sempre ao marido, até que este, farto dos seus gritos, a abandonou junto a um rio.
Depois de ser abandonada pelo o marido, foi banida pela família e o pai quis forçá-la a cometer suicídio saltando para o poço da aldeia. Como alternativa, foi obrigada a casar com um primo, que já era casado, mas também esta relação era uma relação condenada desde o início e o marido rapidamente a abandonou. O facto de estar sozinha e banida pela família, era considerada pelas pessoas da sua aldeia como prostituta e maltratada por todos. Mesmo assim, sem qualquer tipo de educação, fez frente às autoridades em sua própria defesa e até em defesa do seu pai.

Porém, as suas atitudes de rebeldia, haviam de pagar um preço. Um ano mais tarde, devido a uma falsa acusação de roubo, Phoolan foi detida sem julgamento durante mais de um mês, período durante o qual foi repetidamente violada e espancada pelas forças policiais. A sua acusação consistia no facto de ter ofendido a casta Thakur com as suas ideias e a sua rebeldia.
No Verão de 1979, conseguiu fugir, ou segundo outras fontes, foi raptada por um bando de bandidos. Consta que o chefe dos bandidos, Babu Gujar, a terá violado e brutalizado, até que um outro bandido, membro da mesma casta de Phoolan, Vikram Mallah, a defendeu e matou o chefe.
Vikram ensinou a Phoolan tudo o que sabia e depressa ela estava preparada para vingar a sua vida de longos abusos. Juntamente com Vikram, liderou o bando durante mais de um ano, espalhando o medo na região.
Um dia, Vikram foi ferido a tiro na cabeça e acabou por morrer. Tinha sido uma vingança pela morte de Babu Gajar. Phoolan foi capturada, e amarrada, amordaçada e lançada para bordo de um barco que a levaria até Behmai. Ali foi aprisionada por um grupo de Thakurs, que a cada noite a violavam em grupo até ela ficar inconsciente. Depois de três semanas de tortura, soltaram-na apenas para que os ficasse a servir como escrava na vila onde eles se acolhiam, tendo de ir buscar água e fazer todos os serviços, completamente nua até que um amigo a resgatou dessa humilhação.
Era tempo de voltar aos seus dias de bandido. Voltou às zonas que já conhecia e juntou o seu próprio bando. No Inverno de 1982, vingou-se de toda a humilhação às mãos dos Thakus, voltando a Behmai para matar todos os homens que a tinham violado e abusado dela. Consta que terá morto pessoalmente 22 homens com a sua arma, uma 315 Mauser.

A sua fama subiu em flecha e a história da vingança pela sua humilhação fez-lhe ganhar o respeito e a admiração das castas mais baixas da Índia e, até mesmo, de alguns membros das classes mais altas e governadores. Para isso contribuía também o facto dos seus bandidos roubarem quase sempre apenas aos mais ricos e partilharem o espólio com os mais necessitados.
Os jornais serviam também esta fama, fazendo grandes manchetes com a sua história. No entanto, entre as autoridades policiais não gozava de tão boa reputação. A polícia indiana fez-lhe uma perseguição cerrada e um ano depois do massacre em Behmai, Phoolan estava a negociar a sua rendição face a mais de 600 polícias. Uma imensa multidão de mais de 80000 admiradores assistiu à cerimónia de rendição gritando em incitamento à já conhecida como Rainha dos Bandidos.

A história de Phoolan continua até aos nossos dias. Desde 1982, passou onze anos na prisão, sem acusação formal ou julgamento. Foi depois libertada e em 1996 foi eleita deputada do Parlamento Indiano. Casou. Aprendeu a ler e a escrever.

A 25 de Julho de 2001, foi barbaramente assassinada a tiro por um grupo de homens encapuçados, quando se deslocava para o Parlamento Indiano.

A sua história é um exemplo de luta e esperança contra uma das mais cruéis hierarquias sociais do mundo.



Eu, Phoolan Devi
Autoria: Phoolan Devi, Marie Thérese Cuny, Paul Rambali
Edição Portuguesa : Difel

10 Comentários:

  • Às 12:05 da manhã , Blogger Riky Martin disse...

    Da primeira vez que tive na India, em 2001 conheci um condutor de riquexó em Varanasi chamado Baguelu que tinha fotos da bacana (mostrou-me) e que dizia que teve com o bando da Rainha até ter fugido para Varanassi para se purficar no Ganges de todos os pecados... quem sabe, a volta até pode ser verdade!!!

     
  • Às 10:12 da manhã , Blogger pitangajazz disse...

    Espectáculo!!! Mesmo que não seja verdade é uma história com pinta.

     
  • Às 2:10 da tarde , Blogger CM disse...

    Como dizia o outro: Si non é vero é ben'trovato!

     
  • Às 10:04 da tarde , Blogger Delium disse...

    wow...realmente fantastica

     
  • Às 7:35 da tarde , Anonymous Anónimo disse...

    Estimada Pitangajazz!
    Achei o seu blog interessante por duas razões: pela biografia de Phoolan Devi e pelo fato de seres vegetariana.
    Estou lendo, facinado, a autobiografia da Phoolan em alemão e gostaria de tê-lo também em português.
    Será que você poderia me escrever para trocarmos endereços etc e tal?
    Por favor! Meu correio eletrônico é: arnorochol@yahoo.com.br.
    Abraço,
    Arno

     
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