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1.04.2006

Amor cão

Fui o primeiro ser humano a pegar no Óscar, quando ele era ainda um cachorro vestido de pulgas e caraças, num descampado perto da casa dos meus pais. Lembro-me dele ser enorme e de quando o levei para casa ele ter enterrado a cabeça entre as patinhas, tal era o medo que estava a sentir.

O Óscar era cruzado de Serra da Estrela, tinha uns olhos amendoados que davam a ideia de terem sido maquiados num estilo egípcio, um pêlo muito longo e de cor clara. Eu costumava chamar-lhe a minha “louraça mais querida” e lembro-me muito bem quando ele regressava das suas férias de 15 dias no Algarve, trazia sempre o pêlo tão louro do Sol que quase parecia branco! Quando era cachorrinho sempre foi muito mimoso e adorava colo, mas era tão grande e tão pesado que era complicado conseguir que alguém conseguisse pegá-lo durante muito tempo.

Posso dizer que o Óscar salvou a minha vida várias vezes, porque ele apareceu numa fase em que eu já não acreditava nos “amores cães” por ter passado por uma situação bastante complicada com o meu primeiro cão, que sofria de uma doença neurológica grave e teve um desfecho de história muito triste e traumatizante para nós.

Foi a presença amiga do Óscar e a sua maneira de ser, tão bonzinho, brincalhão e ao mesmo tempo medroso, que me fez sentir pela primeira vez o que significava ter um cão que realmente faz parte da família, é fiel ao dono, brinca e participa activamente na nossa vida.

A sua ternura era proporcional ao seu tamanho e quando estava comigo ele dava-me uns beijinhos vagarosos, numa espécie de namoro, como quem aprecia o momento e isso sabia-me muito bem. Costumávamos ficar abraçados a mimar-nos um ao outro durante muito tempo, o que acabava por fazer a minha mãe gritar: “tira a cabeça de cima do cão!”.

Aaaah que saudades!

Fez um ano, no mês de Setembro, que o Óscar morreu e ainda hoje me vêm as lágrimas aos olhos quando penso nele.

No dia da sua morte lembro-me de ter bebido meia garrafa de whisky e de continuar a sentir-me triste e sóbria. Lembro-me de não conseguir parar de chorar. Aliás, durante os muitos dias que se seguiram acabava sempre por chorar, só ou acompanhada, a ausência do meu querido amigo. Aquele tipo de ausência que nos deixa um peso terrível no peito, como só a saudade de algo que se sabe que perdemos para sempre nos traz. Acho que só mesmo as pessoas que têm e amam cães compreendem ao que me refiro.

Queria por isso fazer esta espécie de homenagem ao meu querido amigo Óscar, que me deu a honra de partilhar a sua curta vida comigo. Obrigada.



3 Comentários:

  • Às 1:37 da tarde , Blogger CM disse...

    Já tinha ouvido falar do óscar várias vezes, mas nunca o cheguei a ver - que cão tão lindo!!!Claro que entendo perfeitamente o que estás a dizer, não apenas porque tenho cães, mas porque a nossa Bia nos deixou o ano passado. Ainda ontem uma amiga com quem eu já não falava há cerca de 5 anos se desmanchou toda quando lhe disse que eu tinha dois: o cão dela morreu há um mês e ela precisava de partilhar isso com uma pessoa que entendesse. Acho que já deves ter lido o "cão como nós" do Manuel Alegre. Nenhum livro que eu tivesse lido espelha melhor a sensação de perda e o vazio deixado em nós quando estes amigos partem.É mesmo um "amor cão"...

     
  • Às 3:52 da tarde , Blogger pitangajazz disse...

    Acho que naquela altura, se não fossem os outros meus dois cães, o Miró e o Dexter, tinha sido bem dificil ultrapassar tudo. Felizmente a presença deles e a necessidade de continuar a cumprir as minhas obrigações de dona, ajudou-me muito.

    Por acaso ainda não li esse livro, mas já está na lista de espera!

     
  • Às 10:53 da tarde , Blogger blimunda disse...

    É por causa disso que eu começo a pensar que devia dar um mano ao Mandela...

     

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