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1.11.2006

Os escritores da minha vida – Ernest Hemingway (1899-1961)

Não é fácil falar de Ernest Hemingway. Penso que devia ser um daqueles tipos pelos quais jamais sentimos indiferença, ou amamos ou odiamos. No meu caso, indiscutivelmente, estou mais virada para amá-lo.

Hemingway é daquele tipo de pessoas com a qual eu me imagino a beber uns copos e a ter uma conversa interessante. Apesar da sua paixão pela caça e da sua afición pelas touradas, actividades pelas quais nutro o mais profundo desprezo e até repugnância, acho que foi um homem fascinante, intenso e extremamente sensível. Talvez um pouco obcecado por demonstrações de virilidade o que, aliás, ajudou a contribuir para a sua fama de provocador.

Hemingway não teve o percurso de um americano comum. Era um homem de acção para quem o culto pelo desporto e pela virilidade acabaram por se tornar cansativos. Tornou-se famoso pelo estilo de vida aventureiro, sempre fascinado pelo perigo e pela vida selvagem. Na juventude, decidiu não frequentar a universidade e exercer jornalismo, revelando a rebeldia que sempre o caracterizou. Ainda muito jovem, inscreveu-se como voluntário na Cruz Vermelha para participar na Primeira Guerra Mundial. É a época das suas grandes experiências europeias, durante a qual duas das suas grandes paixões são despoletadas: Espanha e França.


Trabalhou como correspondente de guerra, durante a Guerra Civil Espanhola, dedicando-se a uma vida turbulenta e alcoólica. Hemingway tornou-se um mestre de jornalismo e aplica nos seus romances, com sucesso, o mesmo estilo de prosa conciso e exacto.


Entre os seus livros contam-se algumas obras-primas: The Sun Also Rises (também chamado Fiesta), Farewell to Arms e o incontornável The Old Man and the Sea, um conto que fala-nos da luta mortal entre um humilde pescador cubano e um peixe gigantesco.

Hemingway explorou temas tão humanos quanto viscerais, tais como a morte, a coragem, a força, a guerra e é claro, o amor. Baseou-se habitualmente em experiências pessoais e as suas viagens por Espanha e África proporcionaram-lhe duas actividades que para ele se tornaram simbólicas da condição humana, as touradas e os safaris, dando-lhe matéria-prima para a construção de diversos romances.


A sua paixão por terras exóticas levou-o até Cuba, onde viveu durante cerca de 20 anos, tornando-se amigo de Fidel Castro. Em Cuba, é-lhe atribuída a criação do Mojito Cubano (bebida feita a partir de uma mistura de rum, água tónica e hortelã,) e na La Bodeguita del Medio, em Habana, as paredes estão repletas de fotografias e outras recordações do “Papá”, diminutivo carinhoso pelo qual Hemingway era tratado pelos amigos. Hemingway era também um apaixonado por gatos, o escritor chegou a ter 57 felinos, que ocupavam um torreão da sua propriedade em Cuba

Em 1954 recebe o prémio Nobel da literatura e alguns anos mais tarde, em 1961, suicida-se em casa com um tiro na cabeça.

Há uns anos atrás li uma biografia muito boa sobre ele, escrita pelo seu protegido, e amigo pessoal, A.E. Hotcher. Nessa biografia está espelhado, de uma forma bastante clara, o ambiente de constante paranóia em que Hemingway viveu nos últimos anos da sua vida, já nos Estados Unidos, devido à sua convicção de ser vigiado pelo FBI e pela CIA, por causa da sua amizade com Fidel Castro. Uma obsessão levada aos extremos que o afasta de amigos e familiares, contribuindo para a sua decadência mental progressiva e finalmente para o seu suicídio.

Os seus livros são fascinantes porque parecem seres vivos, com veias e sangue a pulsar dentro delas. São arrebatadores e falam-nos sobre a vida, com a mesma energia e velocidade com que nós tentamos vivê-la.

4 Comentários:

  • Às 2:39 da tarde , Blogger Riky Martin disse...

    so falta potares sobre ooutro, o Jack

     
  • Às 3:19 da tarde , Blogger pitangajazz disse...

    Eh eh eh, cada um a seu tempo.
    ;)

     
  • Às 5:55 da tarde , Blogger CM disse...

    Aí está um post de uma pessoa inteligente e civilizada. Já ouvi certos atrasados mentais a alarvar à geral que nem sequer lêem o Homem porque o gajo gostava de touradas e de ir à caça. Não baralhar gênero humano com manuel germano é essencial para não perdermos a racionalidade, e a oportunidade de apreciar um dos melhores escritores do mundo (já contando com o Jack, claro).

     
  • Às 6:27 da tarde , Blogger pitangajazz disse...

    Obrigada CM!Realmente o preconceito faz com que percamos a oportunidade de conhecer coisas fantásticas. Como por exemplo se eu me recusasse a ouvir Cazuza só porque o gajo era gay.

     

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